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Perfis Soldados — NBR 5884 (séries, tolerâncias e solda)

As séries CS, CVS, VS e VSM não são uma nomenclatura de fabricante — são as séries oficiais definidas pela ABNT NBR 5884:2013 (“Perfil I estrutural de aço soldado por arco elétrico — Requisitos gerais”). Confirmado nesta página: as 420 bitolas publicadas nas 4 páginas batem 100% com os critérios de classificação da norma.

Séries — definição oficial (NBR 5884, seção 5)

Seção intitulada “Séries — definição oficial (NBR 5884, seção 5)”
Série Critério Simetria
CS d/bf = 1 Simétrica (X-X e Y-Y)
CVS 1 < d/bf ≤ 1,5 Simétrica
VS 1,5 < d/bf ≤ 4 Simétrica
VSM 1 < d/bf ≤ 4, mesas de mesma largura (bfs = bfi) Monossimétrica (só em Y-Y) — mesas com espessuras diferentes
PS Fora das faixas acima Simétrica
PSM Fora das faixas acima, ou mesas de larguras diferentes Monossimétrica

d = altura do perfil; bf = largura da mesa. A norma também prevê as séries PS e PSM para perfis fora dessas faixas — não relacionadas em tabela normativa (Anexo B), fabricados sob projeto. O portal não publica PS/PSM.

A norma designa o perfil por série + altura em mm + massa aproximada em kg/m, arredondada ao inteiro mais próximo. Exemplo do próprio texto da norma: um perfil série CS com 300 mm de altura e 62,4 kg/m é designado CS 300 × 62.

Tolerâncias dimensionais (Anexo A, normativo — Tabela A.1)

Seção intitulada “Tolerâncias dimensionais (Anexo A, normativo — Tabela A.1)”

A norma define três padrões de tolerância, crescentes em rigor:

Padrão Aplicação típica
I Elementos sujeitos a ações cíclicas — vigas de rolamento de ponte rolante altamente solicitada, estruturas especiais de elevado rigor
II Estruturas convencionais — galpões industriais, edifícios comerciais e residenciais
III Estruturas secundárias e complementares — estaqueamento, postes

Nos pedidos de perfis conforme a norma, o padrão de tolerância é um dos itens obrigatórios da encomenda — não fica implícito.

Variável Parâmetro Padrão I Padrão II Padrão III
Altura d d ≤ 900 mm ± 3,0 mm ± 3,0 mm ± 4,0 mm
Altura d 900 < d ≤ 1800 mm ± 3,0 mm −4,0 / +5,0 mm −5,0 / +6,0 mm
Altura d d > 1800 mm ± 4,0 mm −4,0 / +7,0 mm −5,0 / +8,0 mm
Largura da mesa bf bf ≤ 150 mm ± 2,0 mm ± 2,0 mm ± 3,0 mm
Largura da mesa bf bf > 150 mm ± 3,0 mm ± 3,0 mm ± 4,0 mm
Espessuras tw, tf — conforme NBR 11888/11889 (chapa de origem), em todos os padrões
Variável Padrão I Padrão II Padrão III
Excentricidade da alma (bf ≤ 150) 2,0 mm 3,0 mm 4,0 mm
Excentricidade da alma (bf > 150) 3,0 mm 4,0 mm 5,0 mm
Comprimento, extremidades aparadas ± 4,0 mm +5,0 / −3,0 mm ± 7,0 mm
Flecha longitudinal (plano da alma/mesa) L/1000 ou 8,0mm (o menor) L/1000 ou 10,0mm (o menor) L/750 ou 15,0mm (o menor)
Flecha da alma h/200 ou 2,0mm (máx. 6,0mm) h/150 ou 3,0mm (máx. 8,0mm) h/130 ou 3,0mm (máx. 9,0mm)
Massa −2% −2% a +6% (todos os padrões) −2% a +6%

Tabela completa (ondulações longitudinais na alma/mesa, esquadro de extremidade, extremidades não aparadas) na norma original — resumida aqui aos itens de maior impacto prático.

  • Processo preferencial: arco submerso (SAW), automático ou semiautomático. Outros processos são aceitos desde que atendam à qualidade especificada em projeto.
  • Qualificação: enquanto não existir norma brasileira própria para consumíveis, qualificação de soldadores e ensaios não destrutivos, aplica-se a AWS (American Welding Society) — D1.1 para edificações, D1.5 para pontes rodo/ferroviárias, D14.1 para vigas de rolamento e equipamentos de movimentação de carga.
  • Cordão: contínuo, podendo ser de penetração total, parcial, filete duplo ou filete de um só lado da alma (com cuidados contra corrosão nesse último caso).
Espessura do material a soldar Processo com proteção gasosa/eletrodo revestido — ec Processo arco submerso — ec1
t ≤ 6,35 mm 3,0 mm 3 mm
6,35 < t ≤ 12,5 mm 5,0 mm 3,5 mm
12,5 < t ≤ 19 mm 6,0 mm 4 mm
19 < t ≤ 38 mm 8,0 mm 5,5 mm
38 < t ≤ 56 mm 10,0 mm 7 mm

t = a menor espessura entre a mesa e a alma na junta. A dimensão mínima da perna do cordão para estruturas sujeitas a ações cíclicas é sempre 6 mm, independente da espessura.

A norma também detalha, em texto e figuras (não reproduzidos aqui): critérios de aceitação visual de solda por tipo de descontinuidade (trincas, mordedura, porosidade, convexidade — Tabela 1 e Figura 2), emendas de topo e longitudinais na alma, temperatura de preaquecimento/interpasse, e o procedimento de inspeção por amostragem (seção 8). Consulte a norma original para esses itens.